Santa Clara

Santa Clara nasceu em Assis, na Itália, no final do século XII duma família aristocrática. Cedo se deixou enamorar por Cristo. Era uma jovem a transbordar de ideal. A vida sorria-lhe mas, aos dezoito anos, preferiu tudo desprezar para se entregar Àquele que a fascinara. Saindo da casa paterna pela calada da noite de Domingo de Ramos de 1211, sem que os parentes suspeitassem, Clara inicia uma aventura divina que a elevará aos mais altos cumes da santidade, pelos caminhos da simplicidade e da pobreza. Tudo abandonou, a exemplo de S. Francisco, para se entregar ao Amor de Jesus no pequeno Mosteiro de S. Damião, em Assis.
Foi tal o impacto causado pela original aventura de Clara que, em breve, grande número de jovens seguiu o seu exemplo.
Foi tão plena e intensa a vida de Clara, que na hora suprema da partida deste mundo, apenas podia agradecer a Deus o dom da existência: "Louvado sejais Senhor, porque me criastes."
O rosto de Santa Clara, após oitocentos anos, manifesta ainda a mesma frescura inicial. Fascina muitas jovens que, como ela, dizem: "Senhor, nada há para mim, no céu ou na terra fora de Vós." A Ordem de Santa Clara actualmente conta com cerca de 18 000 Irmãs, espalhadas pelos cinco continentes. Os séculos não conseguiram destruir o vigor desta "Plantazinha de S. Francisco" que, mau grado o intempéries próprias dos tempos, continua a florescer na Igreja com abundantes frutos de santidade.
Se Clara tivesse bebido a taça que o mundo lhe oferecia, os traços do seu rosto virgem e belo não teriam chegado aos nossos dias.
Clara, apesar da vida recolhida que escolheu, tornou-se conhecida em todo o mundo de então, como no de hoje.
. O Papa Pio XII em 1958, através do breve apostólico "Clarius explendescit", proclamou Santa Clara de Assis como padroeira da televisão pelo facto de ela, numa noite de Natal, estando já muito doente e não podendo deslocar-se ao coro de S. Damião para as cerimónias que aí decorriam, ter visto, como se estivesse presente, as celebrações que tiveram lugar no Convento de S. Francisco, bastante afastado de S. Damião. A Igreja confirmou a Santidade de Clara com os apelativos mais luminosos:
“Clara, resplandecente em claros méritos, brilha no céu com claridade de insigne glória e na terra com esplendor de sublimes milagres. Aqui cintila a austera e sublime Ordem de Santa Clara, difunde-se até ao alto a luz do seu prémio eterno e a sua virtude manifesta-se aos mortais com sinais magníficos.”
(Bula de Canonização de Santa Clara do papa Alexandre IV)

S. Francisco

Veio ao mundo com assinalado e luminoso destino, filho de pais abastados, nasceu em Assis velha cidade da Itália, situada na região da Úmbria em 26 de Setembro de 1182 e foi criado no luxo e na vaidade. Seu pai Pedro Bernardone, rico comerciante de tecidos, sonhava fazê-lo homem de negócios e de fortuna, mas Francisco, de génio alegre e cavalheiresco pensava mais nas glórias do mundo do que nos negócios. Em 1202, com 20 anos, foi à guerra entre a sua cidade natal e Perúgia, ao partir, jurou voltar consagrado cavaleiro. Caiu prisioneiro, ficando um ano na prisão. Comportou-se com serenidade, levantou a moral dos seus companheiros, transmitindo confiança e alegria. É resgatado pelo pai, por estar muito doente. Permanece um tempo em Assis para sua recuperação.
Refeito da grave doença e em período de transição que mudará sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direcção, ficou apavorado, pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afecto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.
Ao orar diante da imagem de Cristo Crucificado, nas ruínas da Igreja de São Damião, e recebe a missão de restaurar a Igreja. Um dia, pareceu-lhe ouvir claramente: “Francisco, não vês que a minha casa está em ruínas? Restaurá-la para mim!”. Pensando tratar-se do velho templo onde se achava, imediatamente começou a reconstruí-la, usando o dinheiro do próprio pai.
Em 1206 comparece ante o Bispo Dom Guido III acusado pelo pai de roubo. Devolve-lhe o que lhe pertence, até as roupas e declara-se servo de Deus. Pede ao Bispo a sua bênção e abandona a cidade à procura dos caminhos do Senhor, o Bispo vê nesse gesto o chamamento do Altíssimo e torna-se seu protector pelo resto da vida. São Francisco renuncia a todos os bens que o prendiam neste mundo, veste-se como eremita e começa a restauração da Capela de São Damião e cuida dos leprosos.
Recebe os primeiros irmãos: Frei Bernardo de Quintavalle que será mais tarde seu sucessor, homem de grande fortuna que abandona tudo para seguir São Francisco. Frei Pedro Cattani, cônego e conselheiro legal de Assis, homem de esmerada cultura, instrução e dotado de grande inteligência. E o irmão Leão que será sempre e em todas as horas o fiel companheiro.
Com 11 irmãos vai a Roma, para pedir ao Papa Inocêncio III aprovação da sua Regra. Vestidos com humildes túnicas professam os três votos: Pobreza, Obediência e Castidade.
Os Padres Beneditinos oferecem-lhe as pequenas igrejas de Santa Maria dos Anjos, em Porciúncula, pois eram muitos os homens que atraídos pela vida de pureza do Santo, queriam ser acolhidos na Ordem. Trabalhava com suas próprias mãos para alcançar os meios de subsistência. Em 1212 funda a segunda Ordem das Pobres Damas, destinada às mulheres que desejassem deixar o mundo, numa dedicação exclusiva à Deus e a Nosso Senhor, para uma vida de oração e de santa pobreza. A figura central á Santa Clara de Assis jovem nobre que abandonou tudo para seguir a Jesus cristo, hoje conhecidas como as Irmãs Clarissas.
São Francisco inspirado por Deus junto com o Irmão Leão, seu fiel companheiro retira-se para Monte Alverne já bastante doente, preparando-se para a Quaresma de oração e jejum e a festa de São Miguel Arcanjo, vive em louvor a Deus passando noites e dias inteiros em oração. O Santo de Assis aceitou os percalços e as vicissitudes da vida terrena, numa demonstração de coragem e de fé inabalável. Em 1221 funda a Ordem Terceira, ainda como instrumento de concórdia e de bem-estar social.
São Francisco amava tanto Cristo crucificado que pediu ardentemente duas graças, que antes de morrer pudesse sentir na alma e no corpo o amor e o sofrimento da paixão e o Santo alcançou essas duas graças. Ele pode ver no céu, um Serafim todo resplandecente de luz que se lhe aproximou e recebe os estigmas da Paixão, trespassando-lhe os pés, as mãos e o lado direito, imprimiu-lhe no corpo os sagrados estigmas do Cristo, isto foi em 14 Setembro de 1224.
São Francisco volta a Sta. Maria dos Anjos, muito doente e quase cego, muitos foram os milagres realizados com seus estigmas. A corte papal envia-lhe médico para tratamento, nada resolve, sabendo-se próximo da morte.
No dia 3 de Outubro de 1226, morre São Francisco de Assis, cantando o Salmo 141 rodeado pelos seus Filhos Espirituais. Foi sepultado na Igreja de São Jorge na cidade de Assis, passando antes por S. Damião. Sta. Clara e suas filhas puderam assim despedir-se do Santo Pai.